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Fernão, sim ou não?

em 30/09/20


Em 2012, escrevi um texto a propósito de Fernão que poderia reproduzir hoje, sem grandes alterações: continuo a preferir Fernão a Fernando - que, para mim, ainda parece um pouco datado - e sinto que Fernão não destoaria por aí além junto dos nomes de estilo medieval que continuam fortíssimos nos nossos rankings, fazendo par com nomes de outras figuras icónicas, como Gil, Vasco ou Vicente, só para referir alguns. E, apesar de ser um nome caído em desuso e que praticamente não se usa em crianças [não foi registado em 2018 como primeiro nome], Fernão é um nome que uma boa parte dos portugueses verbaliza com alguma frequência, por via da toponímia, pelo que não seria o mesmo que sugerir, por exemplo, o resgate de Urraca. 

Concordam com a minha opinião a respeito de Fernando ou parece-vos cada vez mais usável? E Fernão, está completamente fora de questão? 

Bartolomeu

em 14/08/19


Bartolomeu, nome de origem grega que significa "filho de Talmai", sempre esteve presente na minha vida, porque o Frei Bartolomeu dos Mártires é uma figura de grande destaque em Viana do Castelo, cidade onde nasci e cresci. É nome de escola, de rua, dedicaram-lhe uma estátua e ainda há bem pouco tempo o roubo de um relicário com os seus restos mortais causou consternação. Portanto, não é um nome que me cause estranheza e até está presente aqui no blog em várias listas, nomeadamente na de nomes bíblicos, na lista de nomes de apóstolos e na lista de nomes de infantes de Portugal [D. Pedro II, o rei que trouxe a moda dos nomes super longos para cá, escolheu-o como último nome para o seu filho Manuel]. Ainda assim, não é um nome que costume recomendar, porque sempre me pareceu demasiado ao lado daquilo que os portugueses procuram actualmente. 
Apesar de ser um nome medieval, e de termos resgatados tantos nomes medievais, coloco-no na mesma categoria de Baltasar, Cristóvão, Gregório ou Jerónimo que, realisticamente, são nomes que não têm cativado muita gente nas últimas décadas. Por isso mesmo, causou-me agora algum espanto verificar que 2017 foi um óptimo ano para Bartolomeu, já que chegou aos dez registos, um verdadeiro feito, tendo em consideração que no ano anterior e no ano seguinte apenas foi escolhido para dois meninos! 
O que é que vocês acham de Bartolomeu? 

Pelaio
- Decifrando a lista do IRN -

em 08/02/17


Se dedicarmos algum tempo a leitura de textos relativos ao período medieval português, é quase garantido que nos vamos cruzar com o nome Paio, que está na origem do patronímico Pais. Também está relacionado com Sampaio, através da figura de São Paio que, de acordo com José Pedro Machado, no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, "nos textos em latim bárbaro, aparece com frequência Sancto Pelágio". Paio será, então, a forma popular de Pelágio, com origem em Pelagius, que significa do alto mar ou, por analogia, marinho e marinheiro. E é assim que, segundo o autor, chegamos a Pelaio, um "intermédio" entre o português Paio e Pelágio. 

E falando em Pelágio... Tiramos-lhe uma letrinha e ficamos com plágio. E que coisa feia é pegar no trabalho alheio e apresentá-lo na íntegra, orgulhosamente, como sendo nosso! Quando criei este blog, não inventei a roda e é clarinho como água que o tema não se esgota no Nomes e mais Nomes. Mas seis anos depois, sei que dei ao meu blog um cunho inconfundível. Não seria mais enriquecedor trilhar o próprio caminho, ao invés de se limitar a ser um eco do que aqui se faz? Mais digno era, com toda a certeza, já que pegar deliberadamente nos meus conteúdos e reproduzi-los é apenas fácil. E muito vergonhoso.  

Pares Perfeitos para Lopo

em 25/07/16


Há umas semanas, a Mariana passou pelo post que escrevi sobre Lopo e, lembrando que a fadista Cuca Roseta, mãe de um menino chamado Lopo, deu recentemente à luz uma bebé a quem chamou Benedita, sugeriu que tentássemos pensar noutros nomes que nos parecessem encaixar no perfil de Lopo. 
Basta ler os comentários ao post para perceber que é um nome muito propício a críticas, especialmente pela notória semelhança a Lobo, e o baixíssimo número anual de registos [3 em 2015] confirma que não é apetecível. O que, a meu ver, torna o desafio mais interessante, já que nos deixa quase perante um quadro em branco. E, se está em branco, coloco de lado os meus adorados nomes medievais e associo-me à febre da Guerra dos Tronos. E não é que consigo imaginar o pequeno Lopo a correr atrás dos irmãos João das Neves, Sância, Ária e Brandão?! Ou das primas Circe, Daina, Briana, Yara e Liana? :) 

Que nomes associariam a Lopo? Aqui ficam as minhas sugestões de Pares Perfeitos:


Meninos

  • Artur
  • Estêvão
  • Gil
  • Lourenço
  • Matias
  • Sancho 
  • Tristão
  • Valentim

Meninas
  • Amélia
  • Branca
  • Carlota
  • Graça
  • Guiomar
  • Pilar


Tristana & Tristão

em 15/06/15


Um dos meus nomes medievais preferidos é Tristão mas sei bem que as reacções a este nome são maioritariamente más, sobretudo pela associação a "muito triste". Originalmente, este nem sequer era o significado do nome, que tem origem em Drustan e, por isso, significaria "tumulto". Contudo, a grafia foi-se alterando por assimilação à palavra latina Tristis e, como tal, a associação é mais do que inevitável. Na verdade, o significado até poderia ser "homem mais feliz do mundo" e nem isso nos  afastaria do conceito de  tristeza sempre que ouvíssemos ou lêssemos Tristão, certo?

Mas adiante, que hoje o nome do dia é outro e a pergunta que se impõe é a seguinte: se pelo seu carácter literal, Tristão é indissociável do sentimento de inquietação, o que pensam de Tristana? O nome poderá soar familiar a quem conhece a filha do escritor Miguel Esteves Cardoso, que até costuma aparecer nas revistas cor-de-rosa e, apesar de não ser nada comum em Portugal, é relativamente conhecido em Espanha, graças ao romance Tristana de Benito Pérez Galdós, cuja adaptação ao cinema foi candidata ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1970. 
Muitas vezes, quando menciono Tristão, respondem-me que preferem a variante Tristan e, nesse caso, será que Tristana se torna mais usável? Na minha opinião, é um nome bastante interessante e apesar de não ter certezas quanto à sua aprovação, não hesitaria em recomendá-lo a quem procura um nome diferente mas que não fuja em demasia à estrutura normal dos nomes portugueses. 
Se eu vos apresentasse Tristana como alternativa a Caetana, achavam que tinha perdido o juízo? 

Pares Perfeitos Masculinos... do passado!

em 05/06/15


Dando continuidade ao post de ontem, aqui ficam alguns nomes de irmãos recolhidos do Nobiliário de Famílias de Portugal, de Felgueiras Gaio: 


  • Afonso & Estêvão
  • Bernardo & Isidoro
  • Diogo & Ambrósio
  • Duarte & Melchior
  • Francisco & Fradique
  • Henrique & Jerónimo
  • Henrique & Tristão
  • Gabriel & Gaspar
  • Gil & Leão
  • Gonçalo & Cristóvão
  • Gonçalo & Silvestre
  • João & Paio
  • Jorge & Fernão
  • José & Heitor
  • Lourenço & Egas
  • Luís & Bartolomeu
  • Luís & Lopo
  • Martim & Sancho
  • Martinho & Estácio
  • Nuno & Julião
  • Pedro & Inácio
  • Rui & Aires
  • Simão & Fernão
  • Vicente & Jacinto



Pares Perfeitos Femininos... no passado!

em 04/06/15


Nos últimos tempos tenho andado entretida com o Nobiliário de Famílias de Portugal, de Felgueiras Gaio. Podia fazer um post por dia baseado no que por lá encontro, mas hoje partilho apenas alguns nomes de irmãs que me fizeram sorrir...


  • Filipa & Apolónia
  • Isabel & Robiana
  • Joana & Eufrásia
  • Leonor & Genebra
  • Leonor & Mécia
  • Caetana & Ponciana
  • Madalena & Jerónima
  • Susana & Úrsula
  • Ana & Quitéria
  • Luísa & Perpétua
  • Luísa & Violante
  • Joana & Benta
  • Inês & Brites
  • Luísa & Bernarda
  • Luísa & Jacinta
  • Isabel & Escolástica


Amanhã vemos alguns pares de irmãos!

Egas

em 03/06/15


Já passou muito tempo desde a última vez que reli a coleção Viagens no Tempo, mas aquele universo fascinava-me tanto que acho que tão cedo não vou esquecer as histórias. O primeiro livro, por exemplo, aflorava a lenda de Egas Moniz, o honrado aio de D. Afonso Henriques e, a partir da primeira leitura, passei a gostar muito do nome Egas que, anteriormente, apenas associava ao personagem da Rua Sésamo.
Egas Moniz viveu entre 1080 e 1146, era filho de Múnio e Ouroana e foi casado primeiramente com uma senhora chamada Dórdia e depois com uma Teresa, sendo pai de Lourenço, Afonso, Mem, Rodrigo, Hermígio e Soeiro, e ainda de Dórdia, Elvira e Urraca... Que banquete de nomes medievais
A origem de Egas é um pouco obscura. Uns apontam-lhe raízes árabes, outros dizem que a origem é Ega e que o -S terá influência germânica, outros indicam que está relacionado com Egeas mas os especialistas não chegam a um consenso. Para mim, é pouco importante. Gosto de Egas pela sua ligação emocional ao início da história de Portugal e, se o usasse, seria sempre com o aio Egas Moniz no pensamento. Lembremo-nos ainda de António Caetano, prémio Nobel da Medicina em 1949, que era conhecido como António Egas Moniz porque, ao que tudo indica, era seu descendente. 
Egas não consta da lista de nomes aprovados ou proibidos em Portugal, e não é um nome nada habitual mas eu cheguei a conhecer um da minha idade e é também o nome de um dos filhos do fadista António Pinto Basto. Em 2013 foi registado um menino com este nome e em 2011 foi registado outro. Apesar desta impopularidade e de reconhecer que não é um nome muito apelativo, eu acho-o muito interessante!